Publicarei aqui artigos, na visão da igreja católica, que tratam de temas da atualidade.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

’’Fofocas envolvendo padres’’

Recentemente alguém me perguntou como os padres suportam as críticas. Respondi que a vida de um sacerdote é igual à vida das outras pessoas. Não é somente do padre que se fala, qualquer pessoa que estabeleça um relacionamento mais próximo, seja do mesmo sexo ou não, logo aparecem as fofocas.

Infelizmente vivemos numa sociedade erotizada, o sexo está à flor da pele, sobretudo está na cabeça de muitas “cabeças ocas”, porque assim são algumas pessoas, “cabeças ocas”. Será que homens ou mulheres e/ou homens com mulheres não são capazes de viver uma amizade - sem necessariamente ter que acabar em sexo? Seria o mesmo que dizer que nenhum ser humano é capaz de ser sincero, franco, aberto. Pessoalmente acredito no ser humano, sabe por quê? Porque acredito em mim mesmo! Aqueles que vivem imaginando e criando casos para os outros - têm na cabeça este desejo de praticar certos atos libidinosos, portanto o problema não está no outro.

Mas quanto a citar o nome de padres com mais freqüência, isto acontece porque o sacerdote é um homem visado na sociedade, seja pelo destaque social, seja pela vida celibatária. Contudo, nem Jesus escapou dessas acusações, é só olhar o Evangelho narrado por Lucas 7, 31-35, ali Jesus se pergunta como comparar a sua geração, porque vivia criando fofocas.

João Batista era uma pessao sem modismo, diziam ser ele possuído por um demônio, sendo Jesus aberto e transparente, a tal ponto de conviver com todos, o chamavam de comilão e beberrão, e mais, ainda hoje, Jesus está sofrendo dos mesmos problemas dos sacerdotes, isto é, arranjaram-lhe uma namorada: Maria Madalena, virou a amante de Jesus depois de dois mil anos e teve até filhos..., não é assim que escrevem autores e parte da imprensa? Nem Ele escapa, imaginem o sacerdote.

Outro fato bastante sério e que as pessoas não se dão conta, além da tendência às fofocas, é que vivemos na sociedade do denucismo (denúncias sem provas), assim fazem os meios de comunicação e o povo muitas vezes imita, falando de tudo e de todos, sem medir as conseqüências.

Nós padres, devemos saber que na nossa missão estas coisas podem e certamente acontecerão, pelo menos uma vez na vida o sacerdote será caluniado, mas isto não significa que pelo menos uma vez na vida a calunia será provada, porque a grande maioria é simplesmente falácia, porém que faz um mal terrível, porque pode atrapalhar o ministério de alguém que deixou tudo para servir a Deus.

Pode ser que em alguns casos tenha algo de verdade, existem na Igreja – infelizmente – pessoas que fazem coisas desagradáveis, porém nem de longe é maioria, “um em cem”, às vezes até menos, mesmo assim não autoriza ninguém a sair por ai denegrindo a imagem de outros, quem faz fofoca, se fosse verdadeiramente cristão, não falaria para outros, mas procuraria a própria pessoa para ajudá-la, com provas e não com suposições.

É bom que o mexeriqueiro também se lembre que ele terá que prestar contas a Deus e que poderá ser chamado para prestar contas a justiça civil. Eu mesmo estou me conscientizando que certas maldades devem ser provadas na justiça, quem fala deve provar e não esperar que o acusado prove sua inocência. Se eu digo algo de um padre ou de qualquer outra pessoa deveria ser capaz de provar, caso o contrário dou-lhe o direito de me processar – sem contar que estarei infringindo o nono mandamento: “não levantar falso testemunho”. Agora, se Deus não significa nada para estas pessoas, seus mandamentos menos ainda, por isso brincam de cristãos.

Ninguém gosta de ser caluniado, mas esquece desta prerrogativa na hora de caluniar os outros. Jesus diz no Evangelho: “faça aos outros, aquilo que gostaria que os outros lhe fizesse, não faça aos outros aquilo que gostaria que não lhe fizessem”. É sempre bom lembrar disso.

Ao sacerdote cabe viver bem com a sua consciência e com Deus e não tentando provar para ninguém que o acusador está errado. Que ele se acerte com Deus. É necessário também que o padre se assemelhe ao Cristo, que saiba sofrer e dele tirar proveito para o seu ministério, pois na é “fraqueza que encontramos a fortaleza”, lembra São Paulo.

*Assessor de Comunicação e Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados

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