Publicarei aqui artigos, na visão da igreja católica, que tratam de temas da atualidade.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ensino religioso diminui a violência

Pode ser que alguém me interprete mal (por ser um religioso), achando que quero implantar nas escolas a doutrina católica. Mas o fato é que, antes, quando o ensino religioso era lecionado nas escolas, a violência não era tão assustadora. Outro fato que comprova a sua eficácia é o comportamento dos alunos nas instituições escolares, inclusive públicas, que decidiram mantê-lo no currículo.

Em contrapartida, muitos políticos sugerem, como meio para diminuir a violência, a liberação das drogas. Em entrevista ao Jornal do Brasil, Sérgio Cabral, Governador do Rio de Janeiro, defendeu uma medida polêmica: a liberação do uso de drogas, desde que se tenha como aval foros internacionais coordenados pela Organização Mundial de Saúde, para o País não virar uma "Walt Disney da droga". Para Cabral, "a proibição pela proibição traz um número de mortes muito maior do que se tivéssemos uma legislação mais inteligente, mais voltada para a vida como ela é".

Se de fato, a vida, como cita o Governador, tivesse a preponderância na escala de valores, aí sim nem se falaria de liberação de drogas, mesmo porque esta não seria o "bicho-papão" que se tornou nas últimas décadas. Tudo isso começou com o aval da "sociedade adulta e permissiva", que injustamente acusa a juventude como fonte deste mal. Nunca é demais recordar os anos 60, com o movimento "musical" que "pregava a liberdade", no entanto, era uma liberdade sem responsabilidade, muitas vezes regada à drogas, nessa época, todos se calaram e acharam bonito. A sociedade de hoje é filha de ontem, os pilares éticos foram abalados e ainda assim, continuamos de olhos vendados atacando as consequências e esquecendo as causas, e a falta de religiosidade é uma delas.

Voltando à questão da religiosidade, não defendo uma volta a princípios medievais, ou a formas novas de comercializar a religião, como muitas instituições o fazem, falo de destacar no ensino religioso valores transcendentais esquecidos, que como bem salienta Victor Frankl, médico - psiquiatra, filósofo, pai da logoterapia: tudo se resume na falta de sentido da vida. Se o homem vive só na perspectiva do materialismo, a vida vira um caos.

Em relação aos políticos, esta possível permissão significa que Sérgio Cabral, que governa um dos Estados mais importantes da Federação, está de acordo com a liberação dos entorpecentes, não pelo que representam as drogas, mas pelo que delibera a Organização Mundial da Saúde. Porém, ele é apenas mais um que vem a público manifestar sua opinião; recentemente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso "usou" os meios de comunicação para defender a mesma ideia, compartilhada por outras personalidades nacionais e internacionais. Nas suas manifestações públicas, FHC cita a Holanda como exemplo, mas só não revela que depois da liberação, o consumo aumento 400%, portanto, não estagnou e muito menos diminuiu.
Ao falar de ensino religioso e uso de drogas, misturando com a questão da violência, podem pensar que estou fazendo "um samba de doido", na realidade, estou simplesmente manifestando uma convicção com base em índices de outrora, dos quais fui beneficiado, e atuais, comprovados nas escolas que levam a sério esta prática.

Quais as razões que justificam tal defesa? Ora, se o homem é mais que matéria, é evidente que a busca de sentido não pode ser encontrada no materialismo, se a religião prega valores transcendentais, através dela o ser humano pode encontrar sentido para viver eticamente no mundo material. Este encontro retira do coração humano aquela busca desenfreada pelo imediato, que no fundo também é busca de sentido, porém, por caminhos errôneos. Não o encontrando, sobretudo o jovem, arrisca-se por outros caminhos: drogas e violência. Pior são aqueles que comercializam!

Desta forma, o ensino religioso, longe de ser uma ameaça à liberdade, seria um aliado na busca e na construção de uma sociedade mais equilibrada, mas fraterna e justa. Como exemplo de programa que deu certo, para aqueles que desejarem mais informações, é só buscar os índices do município de Sorocaba, SP (e outros), onde o ensino religioso se tornou um aliado no combate à violência.

*Assessor de Comunicação e Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados.

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