Publicarei aqui artigos, na visão da igreja católica, que tratam de temas da atualidade.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A intolerância dos “pacifistas”!

Na semana passada, no meu artigo sobre a Jornada Mundial da Juventude, prometi falar sobre incidentes que aconteceram em Madri. Escrevi que havia grande paz e alegria por parte dos católicos.

Então o que presenciei? Infelizmente vi pequenos grupos raivosos que queriam forçar a multidão a se indignar contra o Papa e a Igreja, pois diziam que a Igreja não respeita os direitos humanos, que é contra a liberdade, etc. Mas foi exatamente o contrário, pois enquanto dois milhões pacificamente desejavam expressar sua fé, sua liberdade religiosa, sem ofensas a ninguém, pequenos grupos que se diziam sem fé, queriam impedir, exatamente em nome da liberdade, as manifestações livres.

Mas o que usaram para persuadir a imensa massa de jovens? Nem sempre o diálogo, mas a agressividade física e verbal, assim um jovem de campo Grande foi agredido verbalmente por um manifestante que o insultava com as mais variadas afrontas, por ser ele um cristão, que segundo o agressor era uma aberração.

Outras vezes, tentando jogar objetos nos jovens e até um protesto contra o próprio Papa, a polícia teve que intervir, pois as manifestações eram demasiadas agressivas. Ficou claro que não usaram as mesmas armas que exigiam, isto é, pediam liberdade, mas não respeitaram quem a pratica, pediam respeito, mas não o ofereceram para quem manifestava o direito à fé, pediam o direito ao casamento das pessoas do mesmo sexo, mas não respeitaram quem em nome da fé, pensa diferente.

Assim, as únicas manifestações de violências que foram vistas em Madri foram exatamente daqueles grupos que pregam que não sejam praticadas violências aos seus direitos. Aliás, antes do anúncio de que o Rio de Janeiro seria próxima sede da Jornada Mundial da Juventude, em 2013, na internet e na imprensa em geral do Brasil, não se falava na alegria e na paz reinante entre os jovens peregrinos, mas simplesmente dizia que o Papa fora recebido com manifestações contrárias à sua presença naquele país, sem sequer dizer uma palavra sobre as coisas boas dirigidas ao chefe da Igreja, dia a pós dia, muito menos mencionavam que havia uma juventude do mundo todo numa grande manifestação de fé, exatamente daqueles que são considerados, muitas vezes, como extravagantes e irresponsáveis: os jovens.

Confesso que ao ler tais noticias, percebi claramente que há um propósito em esconder a beleza do cristianismo e noticiar aquilo que se opõe a ele, sobretudo, mostrando os cristãos como pessoas desfavoráveis à liberdade e ao progresso. Afinal, a quem serve certos setores da mídia? Por que os cristãos representam tamanha ameaça a estes setores? São perguntas que ainda não sei responder com muitos argumentos, mas que podem ser constatadas facilmente a partir de tais fatos.

Um grande jornal espanhol também fez algumas considerações similares, ao dizer que a raiva laicista, em nome da liberdade, vem se tornado uma grave ameaça à própria liberdade.

Pe. Crispim Guimarães
Pároco da paróquia Cristo Rei, Laguna Carapã. MS

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cristianismo perde fiéis em todas as classes

“Estudo divulgado pelo economista Marcelo Néri, a partir de dados do IBGE, indica que, entre 2003 e 2009, o total de católicos caiu em todas as classes sociais, recuando de 74% para 68% da população brasileira. A porcentagem dos sem religião subiu também em todas as faixas”. Este enunciado foi postado na Folha de São Paulo, dia 24 de agosto, mais precisamente sobre a Igreja Católica.

No entanto, dias antes, outro enunciado dizia que o número de protestantes sem igrejas cresceu de 4% para 14% em todas as classes, isto é, 14% dos evangélicos não frequentam mais nenhuma igreja, dentre elas, se dizia, a Universal do Reino de Deus perdeu 24% dos seus fiéis, talvez para seus ex-pastores, como RR Soares, da Igreja Internacional da Graça, cunhado de Edir Macedo e Valdomiro, “apóstolo”, fundador da Igreja Mundial. Infelizmente podemos constatar que em todas as igrejas há uma diminuição do número de adeptos.

Quanto a Igreja Católica, há mais de 10 anos atrás, Dom Eugênio Sales, Cardeal Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro, disse que se 40% dos católicos deixasse a nossa Igreja, não significaria muito, pois sabemos que o número daqueles que frequentam os templos é de no máximo 15%.

Em Laguna Carapã, município de quase 6.500 habitantes, onde 70% dizem-se católico, 18% participam semanalmente das missas, estes dados eu mesmo coletei, semana a semana, nas celebrações que presido, quando observei que aproximadamente 800 pessoas participam das missas. As igrejas estão cheias, mas e os outros 82% que se dizem católicos, onde estão?

Se este número aumentar para 40%, como queremos, teremos de triplicar também o número de padres e religiosas, para triplicar de igual maneira a celebração dos sacramentos, além de aumentar significativamente o tamanho das igrejas, quando não, construir outras em lugares variados.

Por isso, não acho nada interessante as pesquisas que dizem que 70% da população brasileira é católica, assim como Dom Eugênio, prefiro acreditar que católico é aquele que participa regularmente dos sacramentos e não o que aparece no dia do batizado do filho, no casamento e na missa de sétimo dia.

É uma pena que o que vem acontecendo entre os católicos esteja agora se repetindo entre os evangélicos. A Igreja Católica, a partir do Documento de Aparecida, fruto da Quinta Conferência Episcopal Latina Americana, em 2007, constatou que são muitos os batizados e poucos os evangelizados.

Com isso, sinalizou que primeiro devemos evangelizar, o que significa tomar consciência da própria Igreja, dos seus Sacramentos, da sua história e, sobretudo da pessoa que a fundou: Jesus Cristo, partindo para atingir os afastados, ou aqueles não tiveram nenhum contato com ela, que é o caso de uma nova geração que nasce e nascerá destes e que não têm igreja ou religião.


Padre Crispim Guimarães
Pároco da Paróquia Cristo Rei, Laguna Carapã, MS.